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Geração descartável


"Desenvolvemos a velocidade, mas isolamo-nos uns dos outros.
A maquinaria que nos poderia dar abundância deixou-nos na penúria.
Nossos conhecimentos fizeram-nos cépticos; nossa inteligência, cruéis e severos.
Pensamos muito e sentimos pouco."


O trecho acima é do discurso de Charles Chaplin no filme "O Grande Ditador", de 1940. Depois de 75 anos, o discurso é ainda mais atual do que à época. 

Na mesma fala, Chaplin cita o rádio e o avião como exemplos de invenções que aproximaram pessoas distantes. O que diria hoje na era das redes sociais, das informações instantaneamente espalhadas? 

Pensamos ainda mais, sentimos ainda menos. 

A forma de interagir com o meio modifica a nossa forma de interagir um com o outro. A velocidade dos acontecimentos e das informações não nos permite aprofundar em nada. Nos fechamos ainda mais em nós mesmo e na nossa visão estreita e sem base sólida do mundo ao redor.

Não há meio-termo ou moderação. Cada experiência é tida como a melhor ou a pior pela qual já passamos. Idolatramos ou odiamos quem mal conhecemos. Encontramos o grande amor das nossas vidas umas três vezes por ano. 

Qual será o futuro dessa geração? Como será a velhice das pessoas em famílias cada vez menores e mais dispersas se a busca pela felicidade instantânea não nos permite "perder tempo" consertando algo que pode ser rapidamente substituído.


Nos tornamos cada vez mais superlativos, superficiais e egoístas.

Tanta informação e tão pouco conhecimento.
Tanta gente e tanta solidão.





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