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Luiz Fux, Paulo Vieira e o país que muda


O julgamento da Ação Penal 470 (vulgo "Mensalão") é transmitido, comentado e analisado pela grande mídia como um grande marco. Parece que nossos netos lerão na escola livros que dividirão a história brasileira entre "AJ" e "DJ" (antes do julgamento e depois do julgamento). 


Sob a ótica destes, as condenações de José Dirceu e José Genoíno encerram a era da impunidade, ninguém mais poderá dizer que não vivemos num país sério e a República finalmente completa sua instalação nessas terras tropicais. 

Se o agora presidente do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa, foi alçado a condição de Batman, o justiceiro cavaleiro das trevas, o ministro Luiz Fux é o seu Robin. 

Judeu, carioca, boa praça, lutador de Jiu-Jitsu, tocador de guitarra e, sobretudo, bonachão.

Luiz Fux revelou à jornalista Mônica Bêrgamo os caminhos que teve que percorrer para chegar à Suprema Corte. Não se sabe ainda se sob efeito de álcool, Fux revelou ter pedido o apoio de José Dirceu, João Paulo Cunha, João Pedro Stédile, Sérgio Cabral, Antônio Palocci, Delfim Neto e empresários. 

A Stédile, líder dos trabalhadores sem-terra, Fux pediu o apoio logo depois de ter feito uma conciliação com fazendeiros, a Palocci pediu apoio depois de ter votado em causa que gerou uma economia de R$ 20 bilhões ao governo. Assim mesmo, tomá lá, dá cá.

Nas conversas com petista, sempre que o assunto surgia, deixava dar a entender que votaria pela absolvição do núcleo político no julgamento do mensalão. Ao contrário, acompanhou os votos do relator em 109 de 112 ocasiões, nenhum outro chegou a tanto. 

Não por acaso, Barbosa quebrou o protocolo e o convidou para discursar na sua posse na presidência da Corte. Em retribuição, Fux pegou a guitarra na festa de comemoração e cantou "Um dia de domingo", de Tim Maia, em homenagem ao novo presidente.

No fim da história o espertão se deu bem. Depois de "bater na trave" três vezes, Fux sentenciou "Só na meritocracia não vai", fez o que pôde para ser nomeado, depois de empossado sucumbiu às pressões da mídia para ser paparicado como o número 2 da revolução moralista que toma conta do país. 

À cúpula petista, fica a lição. Desconfie quando um ministro do STF se aposentar e outro aparecer com essa história de "Eu preciso de te falar / Te encontrar / De qualquer jeito / Pra sentar e conversar".


Os chefes das quadrilhas

Com as confissões publicadas, o ministro que foi pedir apoio a José Dirceu e depois o condenou como chefe de quadrilha se aproxima de outra personagem que recentemente veio ao centro do noticiário com a mesma qualificação.

Em e-mail trocado com a ex-chefe de gabinete do escritório da Presidência da República em São Paulo, Rosemery Noronha, Paulo Vieira pediu para que ela intercedesse pela nomeação dele para o cargo de diretor da ANA (Agência Nacional de Águas) utilizando-se de uma máxima um tanto quanto fuxniana: "estou enviando o meu currículo com as informações que eu considerei mais pertinente ao cargo da ANA, apesar de sabermos que o currículo não é fator primordial".


A verdadeira mudança

Tudo isso, que sempre aconteceu nos bastidores, sendo trazido às vistas do grande público está mudando mesmo o país. Estamos deixando de ser um país hipócrita para ser um país cínico.

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