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A tragédia e o vale-tudo

Ainda enlutado pela tragédia que vitimou os nove chapadinhenses no acidente em Vila Nova dos Martírios (MA), escrevo algumas linhas sobre o comportamento humano diante do estado de crise.

Antes, faço um testemunho. Estive na região do acidente durante a campanha eleitoral do ano passado acompanhando meu então candidato a deputado federal, Raimundo Monteiro, e quase sofremos um acidente próximo a São Pedro D'água Branca. Posso, portanto, atestar que as rodovias dali, como de quase todo o Maranhão, são perigosas e o risco é dobrado pela inoperância do poder público e pela imprudência dos condutores.

Dito isso, sigo ao tema principal do texto.

No momento em que aconteceu o acidente, na sexta-feira, estava em São Luís (MA) e recebi uma ligação da assessoria da prefeita desmarcando o compromisso que teríamos no sábado e informando que ela estava a caminho do local do acidente. Só a noite tive detalhes do ocorrido pela internet. 

A prefeita Danúbia Carneiro e a vereadora Francisca Aguiar foram pra Imperatriz e Açailândia, só com a roupa do corpo, e trabalharam agilizando o processo de liberação dos corpos, que haviam ficado horas expostos no local no acidente, no asfalto, sob sol quente. 

Além de uma ação de humanidade, Danúbia agiu de acordo com o cargo que ocupa hoje. Como autoridade máxima de Chapadinha, fez o que estava ao seu alcance para que o momento de dor dos familiares e amigos das vítimas não fosse ainda maior.

Porém, por mais incrível que pareça, há quem tente utilizar uma situação dessas como instrumentos da luta política. Com acusações de que ela teria "procurado mídia" e textos afirmando que "político só aparece quando tem tragédia, e buscando benefício próprio". 

Ora, me parece um tanto quanto óbvio que as autoridades públicas não podem se omitir nos momentos de crise, que devem estar presentes e agir com a tranquilidade e a firmeza necessária de cada momento. 

É lamentável a postura de quem ataca seu adversário indiscriminadamente ignorando até o momento de dor e luto da cidade. Por mais que seja bom fazer campanha, há momentos em que todos temos que descer do palanque e nos desarmarmos da disputa política, até porque não é crível que este tipo de postura renda lucro eleitorais. Mas mesmo se rendesse, mesmo que fosse necessário este tipo de artimanha para vencer uma eleição, melhor seria uma derrota que demonstrasse grandiosidade política e polidez moral. 


A cobertura jornalística

Se, num momento como esse, é repudiável o vale-tudo político, também não se deve utilizar de todas as armas em nome de audiência. 

Ser jornalista é tarefa difícil e noticiar um evento que ocorreu a mais de mil quilômetro com uma cidade toda ávida por qualquer informação é um verdadeira desafio, no qual a tarefa mais difícil é escolher o que publicar e o que não publicar. Infelizmente, vários dos meus diletos colegas blogueiros falharam nessa tarefa. 

Publicar fotos de pessoas mortas, com seus corpos em estado de decomposição, vídeos de pessoas dilaceradas e agonizando sem socorro é desrespeito aos falecidos e ao direito de privacidade.

Se a única meta for a audiência ou, poderá defender outro, "dar ao público aquilo que ele quer ver", pois bem, mas para uma convivência civilizada é necessário o respeito ao próximo e aos direitos individuais, incluído aí o direito a privacidade, com o agravante dos indivíduos estarem em circunstância de máxima vulnerabilidade. 

Num contexto onde não é mais necessário o diploma para exercer o jornalismo, qualquer pessoa pode criar o seu espaço virtual para divulgar o que bem entender e não há regulamentação da mídia, precisamos refletir melhor sobre o papel, a importância e a responsabilidade dos jornalistas e/ou blogueiros.

Comentários

blog do foguinho disse…
parabens seu texto é a pura realidae
Ranierik Galvão disse…
Concordo com td que vc falou.
Anônimo disse…
concordo com vc em alguns aspecetoos, mas regulamentar a imprensa (jornalista, blogueiro e etc,) é censurar. Não existe democracia sem imprensa livre.

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