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Onde vamos esconder nossas vergonhas?

É uma vergonha os conchavos políticos que estão sendo produzidos na Câmara Legislativa do Distrito Federal.

Melhor dizendo, é uma afronta à opinião pública e a inteligência do eleitor brasiliense. Mais do que isso: é um argumento contundente para justificar a intervenção federal no Distrito Federal e por um ponto final na bandalheira que tomou de assalto o Executivo e o Legislativo local.

Para mim não resta dúvida: a Câmara Legislativa deu sinais claros que a crise política entrou pela porta e o bom senso dos políticos saiu pela janela.

É a primeira vez, em toda a minha trajetória de vida pública, que eu vejo a eleição de um Judas. Um não: três. Os distritais acreditam cegamente que degolando as cabeças de Eurides Brito, Leonardo Prudente e Júnior Brunelli vão enterrar de vez no cemitério do esquecimento as graves denúncias que atinge mais de um terço da Casa e entorna lama no Tribunal de Contas do DF.

Não sei com que cara os distritais pretendem ir ao Supremo Tribunal Federal se posicionar contrários a intervenção no DF. Pior, não sei com que coragem eles pretendem usar o argumento da autonomia política.

Se a autonomia está ameaçada é um efeito colateral do comportamento da própria Câmara Legislativa que, como contam as denúncias, se vendeu para aprovar projetos, foi subserviente aos desejos do Executivo e agora, por último, está tramando um golpe contra a população salvando da execração pública e do julgamento popular os mensaleiros investigados pela Polícia Federal.

O nome dessa vergonha desenhada pela Câmara Legislativa, ao menos na minha terra, é golpe.

Os deputados distritais tinham de cumprir seu dever e apurar a fundo a participação de todos os parlamentares citados, as acusações de pagamento por parte do GDF à distritais para a aprovação do Plano Diretor de Ordenamento Territorial (PDOT) e apoiar a intervenção federal e a transparência da gestão de todos os contratos do governo.

O posicionamento da Câmara Legislativa é temerário e abre espaço para outras decisões suspeitas do Executivo, como a contratação, sem licitação, das empresas do tio do deputado Cristiano Araújo. Decisão tomada já pela caneta de Wilson Lima.

Pelo que parece, a Câmara não aprendeu a lição está mantendo como regra o toma lá da cá.

Eu estou convencido. Por tudo que estamos assistindo, tenho certeza que a intervenção é o melhor remédio. Senão, vejamos:

O governador eleito está preso; secretários de estado e diretores de empresas públicas são citados como suspeitos pela polícia; as autarquias estão sob a mira dos investigadores; grande parte dos distritais tem envolvimento direto com o mensalão do DEM; o Tribunal de Contas do Distrito Federal está sob suspeição; o vice-governador eleito, após uma série de trapalhadas, se viu obrigado a renunciar e o governador interino saiu em defesa dos mensaleiros.

Se tudo isso não justifica a intervenção, não sei mais o que teria de acontecer.

O argumento da autonomia política é pífio. A intervenção é uma medida emergencial para sanar a situação criada por comportamentos nefastos, como os da Câmara Legislativa, e pela atuação deliberada de corruptos que estão à frente do GDF há quase duas décadas.

É um remédio amargo, mas é a dose exata para estancar a hemorragia de escândalos.

Distritais e a Ordem dos Advogados do Brasil deveriam estar defendendo a moralidade e a apuração das denuncias de compra de votos para a aprovação do Plano Diretor de Ordenamento Territorial (PDOT).

Fazer discurso contra a intervenção é prestar um desserviço à população do Distrito Federal.


Chico Vigilante é do Diretório Regional e ex-presidente do PT-DF, também foi deputado federal e distrital.

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