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QUAL SERÁ O CAMINHO DO PT LOCAL PARA AS PRÓXIMAS ELEIÇÕES?

Raimundo Junior

As eleições locais indicam um quadro de disputa entre Arruda versus Roriz. De um lado perfila-se o governo Arruda e os resultados positivos e negativos do seu período de gestão. A administração democrata vai brigar pelo voto do brasiliense calcada no discurso de realizações de um número grandioso de obras públicas e da defesa de uma postura mais rígida e disciplinadora da “ordem” na nossa cidade. A idéia força será a defesa de uma espécie de “choque de ordem” na área urbana e na ocupação do solo no DF e de um “choque de gestão”, aplicado à administração pública.

O governo Arruda pretende apresentar-se como portador de um jeito sério e competente de gerir os recursos públicos, baseado na transferência de competências e responsabilidades ao setor privado, segundo ele mais eficiente e mais econômico do que o setor público, mesmo que para isso seja preciso contrariar interesses localizado nos diferentes segmentos sociais da sociedade. No imaginário popular, pode-se afirmar que o lado positivo da gestão Arruda é o amplo inventário de execução de obras públicas e a ação disciplinadora no sentido de conter a “desordem” que marcou os anos de gestão Roriz.

Por outro lado, Roriz também perfila seus argumentos para a disputa. Sua força reside na imagem de homem simples e preocupado com os humildes; a lembrança das suas ações sociais no DF (lotes, cestas básicas, restaurantes populares, assentamentos que viraram cidades e outros); a experiência de ter sido governador por 4 gestões e a sua postura de político de baixa agressividade pessoal contra qualquer segmento social. Roriz trabalha e pretende preservar a imagem de político que não persegue ou não maltrata ninguém, seja ele quem for... Além também da sua vasta experiência administrativa de ter governado o DF várias vezes

Essas duas vertentes políticas: Roriz e Arruda moldam o seguinte quadro de polarização De um lado (Arruda), com muitas obras públicas e forte ação disciplinadora para a manutenção da “ordem”. Do outro (Roriz); experiência, grande trabalho social e preocupação com os mais humildes, um governante de coração grande e contrário às “perseguições”.

Diante dessas duas vertentes e dessas duas plataformas políticas qual será o espaço reservado aos setores que não se sentem representados nem por Arruda e nem por Roriz? Ou seja, o espaço do PT ou de outros partidos do campo progressista e popular?

No imaginário da população a passagem do PT pelo GDF foi marcada por inovações no campo social (adoção pioneira de programas como bolsa-escola; saúde em casa; respeito à faixa de pedestre; mala do livro, BRBTrabalho e outros); por um comportamento de ação policial e nada social contra a ocupação territorial desordenada; e pela baixa capacidade de apresentar um inventário de realizações de maior alcance no que toca a execução de grandes obras públicas, particularmente na malha viária e na transformação da precária estrutura urbana dos assentamentos populacionais em uma boa oferta de equipamentos comunitários e sociais nessas localidades. Ou seja, o governo petista inovou na adoção de programas sociais; agiu de forma policial contra a ocupação do solo e fez poucas obras de infra-estrutura urbana. É assim, a grosso modo, o que o povo imagina do último governo petista na cidade.

Para que o PT possa ocupar um espaço entre as vertentes que se moldam para a disputa eleitoral de 2010 terá de encontrar novas idéias força e uma nova imagem capaz de sustentar suas bandeiras. Disputar contra as imagens perfiladas por Arruda e por Roriz, fixando no eleitorado uma alternativa diferenciada. Não será tarefa fácil. O simples comportamento de negar Arruda e de negar Roriz não será suficiente para apresentar o PT como uma alternativa viável para administrar a cidade.

Desta forma, o partido deveria se debruçar sobre quais idéias forças deve defender para a próxima campanha em 2010.

É preciso evitar ficar prisioneiro do comportamento de realizar um grande e preciso “diagnóstico” dos problemas que afligem à população local. Isto é típico do PT! Apontar o caos nos setores e “denunciar” o abandono de áreas como saúde, educação, segurança e transporte coletivo não será o caminho para a vitória do partido ao governo do DF. É preciso ter um diagnóstico do funcionamento e da gestão das áreas, ninguém pode dispensar essa necessidade, mas todo diagnóstico deve ser acompanhado de uma receita de tratamento ou de uma medicação. Por isto, muito mais do que diagnosticar, o PT deve apresentar os “remédios” e o “tratamento” para corrigir os problemas vivenciados pela população quando recorre aos serviços públicos locais. Esses remédios devem apresentados como as soluções do PT para corrigir os problemas dessas áreas. Conhecer desde já programas de outros governos do PT nos estados onde governa e como é a gestão da saúde pública, do ensino, da segurança e dos transportes seria uma das formas de começar a tirar da prateleira os remédios que o PT apresentará para solucionar os problemas do DF. Outra forma seria interagir com a experiência do governo Lula na formulação e na execução de programas federais. O governo Lula proporcionou a muitos quadros do partido a experiência de conviver com a formulação e a execução de diversos programas governamentais. É mais do que necessário sorver essa experiência para preparar nosso programa de governo.

Outra interação necessária é com as organizações da sociedade civil que militam ou executam programas civis ou sociais diretamente com a população. É grande a rede social dessas entidades e muito ricas são suas vivências com os problemas e as soluções implementadas. Ao PT não cabe apenas acolher a pauta de reivindicações dos movimentos sociais como programa de governo. É preciso ir além! O partido deve valorizar o trabalho executado por esses movimentos na interação que eles estabeleceram com o governo Lula.

A grande idéia força que o PT poderia defender nas próximas eleições seria apresentar-se como o construtor de uma gestão pública não perdulária, focada nos resultados para atender bem aos cidadãos, valorizando os profissionais do serviço público na execução das suas tarefas de trabalho e afirmando que a gestão do serviço público não pode ser delegada ao interesse privado, nem sob o argumento da economia e da eficiência. Assim como a privada a gestão pública pode ser eficiente, austera, econômica e competente na execução das suas responsabilidades e competências. O PT tem todo o instrumental para realizar a defesa dessa idéia força. Talvez com essa idéia força e com outras que surgirão no transcurso dos debates sobre o nosso programa de governo podemos nos apresentar entre as vertentes de Arruda versus Roriz e polarizar na sociedade uma eleição que não será fácil vencer seja qual for o nome do candidato a governador do PT.

Raimundo Junior – Filiado ao PT GAMA e militante do PT no Distrito Federal.

Comentários

Anônimo disse…
Excelente ponto de vista do Comp. Raimundo Jr..
Trago algumas contribuições.

O PT precisa estruturar projeto de uma nova Brasília, uma REFUNDAÇÃO! O projeto Lucio Costa foi pensado por 50 anos. Em 2010 a cidade encerrará esse período. Os próximo 50 anos precisam ser discutidos e executados!

O tema da campanha JK era 50 anos em 5. Agora o PT pode trazer o 5 anos em 50. O governo PT/DF passará 5 anos executando uma nova cidade para os próximos 50 anos!!

Por isso, não adianta uma proposta de futuro sem ter como principal elemento em seu escopo de projeto o DESENVOLVIMENTO AUTO-SUSTENTÁVEL. É importante trazer para as discussões sobre as condições da água que a população bebe! O cuidado com o lixo e suas conseqüências! Uma proposta audaciosa sobre um planejamento urbano e territorial que adéqüe as condições de transporte, desenvolvimento e lazer e que não crie danos ao meio-ambiente! É importante apresentar uma nova arquitetura, com menos concreto! Apresentar novos espaços de desenvolvimento econômico que fujam da concentração do Plano Piloto! Pensar numa cidade que utilize ao máximo sua vocação em serviços e tecnologia - setores economicamente limpos! Transformar Brasília no centro da América-Latina e do mundo sobre energias limpas e renováveis!

Uma proposta como essa traz novas perspectivas de investimento, desenvolvimento local e melhoria da qualidade de vida em geral. Um grande projeto tem o poder de mobilizar toda uma gente que antes era divergente! Por que não pensar neste novo projeto para o Distrito Federal?

Brasília nasceu moderna e precisa continuar sendo moderna, atual e relevante para o mundo. Nos orgulhamos em respeitar a faixa de pedestre, imagine como não seria viver numa cidade modelo nos próximos 50 anos?

Padova

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