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Lobistas de si mesmos


Além de autoridades e jornalistas, os corredores do Congresso Nacional são diariamente freqüentados por pessoas que peregrinam de gabinete em gabinete pedindo ajuda aos parlamentares e aos funcionários das duas casas legislativas.

Vários são os motivos para os pedidos que vão de comprar passagens, remédios e comida até aquisição de cadeiras de roda. E a demanda aumenta no período do mês em que sai o pagamento dos funcionários. "Eles sempre chegam procurando pelo parlamentar, mas como dificilmente o encontram no gabinete, eles pedem para os funcionários", revelou uma funcionária de gabinete.

Esta prática não é nova. Alguns rostos já são "figurinha carimbada" para quem trabalha ali há mais tempo. "Depois que a pessoa aprende a entrar aqui, não sai mais. Tem gente que esquece que já veio aqui no gabinete e vem de novo. A gente recebe bem, mas não ajuda mais. Quando vemos que o problema é verdadeiro, fazemos uma vaquinha e ajudamos", confessou outra funcionária.

No gabinete 274, do deputado Walter Pinheiro (PT-BA), os funcionários resolveram tentar evitar os pedidos. Eles colocaram um aviso na entrada dizendo: "Não dispomos de verba para passagens ou qualquer outro tipo de ajuda financeira. Buscamos atender o interesse coletivo". Porém, segundo um dos funcionários, não adianta. "Todo dia chegam pedintes no gabinete", disse.

Há também casos inusitados, que acabam virando motivo de riso entre os funcionários. Certa vez, um senhor entrou em um gabinete com a fatura do cartão de crédito estourado em mais de R$ 6 mil pedindo ajuda para efetuar o pagamento. "Pedi para ele me avisar se encontrasse algum gabinete que pagasse aquela fatura porque eu iria lá para pagaram a do meu cartão também", brinca um funcionário.

Segundo o diretor da Polícia Legislativa do Senado Federal, Pedro Carvalho, esta atividade diminuiu bastante nos últimos anos, mas é difícil evitar que isto ocorra, porque, segundo ele, a cultura do Congresso brasileiro é de uma casa aberta à população. "Qualquer pessoa pode entrar aqui desde que cumpra as normas de se identificar e dizer onde está indo. Nós não temos como fiscalizar o assunto que cada pessoa vai tratar em cada gabinete", confessou o diretor.

Comentários

Cássio Augusto disse…
Essa prática é mesmo enrraizada no imaginário popular... principalmente em cidade pequena onde os Vereadores são uma espécie de "paga-tudo"... e ai deles se não ajudarem!!!

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